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 ‘A web é um trem e você vira vítima ou agente atuante’

Após uma apresentação bem recortada e rica no workshop ‘Vivendo e Aprendendo’, no último sábado, 3, o gestor executivo do site iBahia, Luis Moreira, concedeu entrevista para o site ABAP-BA e falou com detalhes como lidar com as mídias sociais, e explicou o sucesso do site que venceu o prêmio de Veículo Eletrônico do Ano, no Colunista Norte/Nordeste, com apenas dois meses de lançamento. O site do iBahia já vivenciou até pedido de casamento, e que foi aceito.

 

Zeca Medeiros: Como um portal, como essa plataforma na internet pode contribuir no trabalho de uma agência de publicidade, numa campanha, já que ela atinge um público tão amplo e, às vezes, direcionada a uma categoria ou classe social específica?

 

Luis Moreira: Primeiro é importante que se diga que a publicidade na web é muito eficaz porque no momento que você faz uma peça muito bem criativa, convidativa, quando o cliente clica na peça, ele é levado para a porta da loja do cliente. Então hoje é a mídia que faz isso de forma muito mais eficaz. Não desmerecendo TV, rádio e jornal, mas eles trabalham muito com o conceito de recall, institucionalmente. Mas quando você vê uma oferta barata, que chame a atenção na internet, na web, você clicou no banner, está direto no site, você pode comprar na mesma hora. Nos outros veículos você tem que ir, tem que se dirigir ao local. Não que uma substitua a outra, eu sempre defendo isso; a publicidade na web tem que fazer, obrigatoriamente, o mix de comunicação de qualquer empresa, de qualquer agencia. Ela não pode ser relegada a segundo plano, ou muito menos como uma mídia complementar, sobrou um dinheiro investe em internet, que ela é tão eficaz quanto às demais. Uma grande vantagem também em publicidade web é que você não tem o limitador de tempo e espaço. Você pode tudo. Você está falando do banner, mas pode criar outro tipo de publicidade na web que não necessariamente um banner num site. Você pode fazer uma ação no facebook viral, você pode extrapolar. Eu sempre digo: na web nem o céu é o limite, não tem peso, tamanho, tempo, você não tem isso. Tá ali e você pode criar o que você quiser.

 

Zeca Medeiros: O que senhor diria aos empresários que ainda têm dificuldade de compreender essa mídia como estratégica nas suas ações?

 

Luis Moreira: Em primeiro lugar fazer o ‘mea culpa’ porque nós, veículos de web na Bahia, somos parte responsáveis por essa situação, porque como nós não temos players qualificados, né…? O iBahia está surgindo agora, tendo relevância, quer dizer, a gente inclusive assume esse papel de ser norteador do mercado, mas uma andorinha só não faz verão. Isso vai vir com o tempo. Ter uma organização melhor entre os portais, e produtores de conteúdo web como você tem na televisão e no rádio. A gente tem que assumir o papel, realmente, de começar a educar esse mercado. Um tempo atrás, quando a TV surgiu, também a Globo é exemplo muito forte disso. A Globo entendeu que tinha que educar o mercado para comprar a sua mídia e hoje ela colhe os frutos disso. Sim, nós somos os culpados, e temos de, enquanto parcela de responsabilidade, não culpar a agência, ou o mundo. Temos que assumir nossa parcela e dizer: não, vamos ter que ajudar e qualificar esse mercado, de que forma? Participando de eventos como esse, organizando workshops também com o mercado, enfim, qualificando esse mercado, entregando a ele todas as ferramentas e informações para que ele se qualifique. Mas ao mesmo tempo, eu acho que aí as agências também têm que ter essa cobrança interna e perceber, porque é uma tendência, eu digo sempre isso. Essa questão que a gente está vivendo aí na web, ela é um trem, ela está vindo, ou você espera e vira vítima disso, ou você embarca e vira agente atuante. A agência também tem que olhar para dentro e dizer o que eu quero, ser vítima desse processo ou ser agente atuante? E os clientes, de outra forma, ouvir cada vez mais as pessoas que hoje estão muito presentes nas redes sociais e perceber, e exigir das agências e de veículos, as soluções de comunicação para atender a esse tipo de público.

 

Zeca Medeiros: O senhor concorda que falta conteúdo na rede ou essa afirmação é equivocada?

 

Luis Moreira: Não…, eu acho que tem sim um pouco disso. Isso é fruto exatamente da disseminação (de informação). Hoje todo mundo pode ter um blog, pode ter um site e fica mais fácil, né? A gente vive isso no mundo, de uma maneira geral, o famoso copiar e colar. Então é fato, se você for bastante criterioso você vai ver muito material aí de release que é publicado exatamente igual e no site X, Y e Z. O que a gente precisa, se a gente quiser se diferenciar e ficar acima da média, sair dessa mediocridade, a gente tem que cada vez mais investir em conteúdo próprio. A gente faz parte de um grupo de comunicação que é hoje o maior produtor de conteúdo do Estado. Então temos de usar isso a nosso favor, a gente busca lá. É óbvio, a gente é porta de entrada para esse trabalhos, para esses releases e tal, mas, como eu falei na apresentação, começamos a ganhar relevância no momento em que a entregamos essa informação com algo mais, com prestação de serviços. A gente começa a regionalizar essa comunicação, e aí gente começa ser twitado, compartilhado. Porque o cara ser o maior e melhor site do Norte e Nordeste, eu preciso que as pessoas consumam o conteúdo e retuitem, e repiquem. Elas sim, tem fazer isso, mas nós enquanto veículos, produtores de conteúdo, como o nome diz, a gente tem produzir conteúdo.

 

Zeca Medeiros: Luis, por favor, cite uns dois ou três pontos que foram cruciais no planejamento para o sucesso do case do site iBahia?

 

Luis Moreira: Primeiro saber que a agente está lhe dando num ambiente que a gente não pode nunca dizer que o produto está acabado, está pronto, finalizado. Então a gente tem a consciência que o iBahia é um produto inacabado, e como tal tem que sempre está evoluindo. O segundo é exercer, o que eu digo para os colaboradores lá, o desapego. Não necessariamente, o modelo que a gente hoje acredita que funciona, como eu disse a você, 2 horas da tarde pode não funcionar mais (eram aproximadamente 13h, quando acontecia a entrevista). Então ficar sempre atento. E o terceiro, obviamente, é contar com o apoio incondicional dos acionistas e da diretoria que acreditou no projeto, confiaram nas pessoas que ali trabalharam, e apostaram mesmo na nossa visão, e que não foi uma visão louca, foi uma visão realmente de quem dois anos passou estudando, avaliando e olhando cada detalhe desse mercado, e o que o mercado queria.

 

Zeca Medeiros: … e aí levou a um sucesso do case, com resultados que vocês já estão obtendo…

 

Luis Moreira: Eu acho que principal aí, logo com dois meses de lançamento, foi o prêmio de Veículo Eletrônico do Ano, pelo Colunista Norte/Nordeste. Então a prova de que nós estamos no caminho certo. Não podemos sentar aqui aos louros e dizer: obaaa, somos o melhor, agora beleza, está tudo certo. Não, somos o melhor e agora aumenta a nossa responsabilidade de melhorar cada vez mais

 

Henrique Bonfim: Em relação ao twittedoor, eu como estudante de publicidade e vários outros ficamos encantados com aquilo ali, aquela inovação que foi feita. O que foi pensado, o que vocês planejaram com aquilo, eu sei que foi alcançado o objetivo, até superado, mas como veio aquela idéia?

 

Luis Moreira: É, o twittedoor foi uma ação que, inclusive vale ressaltar, o nome twittedoor foi dado pela própria comunidade. Quando nós “briefamos” a agência, Única, a nossa agência, primeiro, esse sucesso vem de um trabalho muito bem feito de briefing para agência. Eu acho que houve uma combinação e um entendimento, encaixou perfeitamente um entendimento do que nós queríamos passar para o público e a agência conseguiu captar isso de forma muito feliz na captação desse conceito. A chancela do ‘iBahia é inovador, interativo e imediato’, foi o desafio passado a eles. Olha, obviamente que eu estou falando de atingir um público que hoje está nas redes sociais, eu tenho que comunicar bem nas redes sociais, eu quero estar nas redes sociais, mas eu não posso abrir mão também da mídia tradicional. Só que o desafio foi o seguinte: eu quero fazer o uso dessas mídias tradicionais de forma diferente, eu quero ser inusitado. Então onde a gente pode experimentar, o que pode quebrar paradigma na TV, no rádio, no outdoor. Foi passado essa provocação para eles. Eu quero transpor na minha comunicação um conceito de interatividade, inovação e imediatismo, e o twittedoor eu acho que ele é bem o resumo de tudo isso, é você trabalhar uma mídia tradicional como o outdoor, de forma interativa, feita pelo público. A interatividade foi total e imediato. Só para vocês terem uma idéia, houve até pedido de casamento pelo twittedoor, e aceito. Isso repercutiu na mídia. Foi uma mídia espontânea que a gente não calculava. Foi espetacular, foi realmente muito feliz e a gente fica pensando o que a gente pode fazer para surpreender ainda mais.

 

Zeca Medeiros: Vocês vão ter que se reinventar…

Luis Moreira: sempre, sempre, tem que sempre dormir com o olho aberto…

Zeca Medeiros: RPM, Revoluções Por Minuto…

Luis Moreira: É, é, revoluções por minuto, exatamente.

*Luis Moreira é relações públicas, pós graduado em marketing.